Uma das coisas que me fez sentir mais culpada ao longo desses anos de profissão foi o dia em que eu, munida da alta tecnologia celular-tijolão-preto, caminhava pelas ruas do Rio e recebia ligações do novo curso, perguntando-me se queria novas turmas que começariam no mesmo dia.
Eu comecei com uma turma no curso novo, compatível com meus horários anteriores nos cursos em que era horista. Neste dia, no entanto, lembro-me muito bem que entre oito horas da manhã e cinco e meia da tarde todo o meu horário mudou.
Fui cumprir meu horário de manhã no curso novo e, ao terminar, teria que ir a uma aula particular para um aluno de outro curso. Porém, recebi uma ligação perguntando se não queria/poderia estar na parte da tarde em outra filial do mesmo curso, em duas turmas novas. Ao terminar essa aula, recebi outra ligação perguntando-me se, em meia hora, não queria/poderia estar em outro bairro para pegar mais duas turmas novas.
No meio do caminho, tive que ligar para minha chefe antiga e explicar a situação. Foi uma das coisas mais difíceis que já tive que fazer em termos profissionais fora de sala de aula. Tinha medo de perder as turmas, agradecia a sorte de já começar com tantas e, ao mesmo tempo, não queria ser injusta ou “mal agradecida” com os cursos que me deram minha primeiras oportunidades.
Digam-me: como teriam feito? Essa é uma daquelas coisas que ninguém te diz que vão acontecer e acontecem!