Até então eu conseguia ser a menina prodígio, em termos de imagem externa, ainda que por dentro me sentisse super insegura. Eis que começo a trabalhar em diferentes filiais (6 filiais diferentes, em diferentes pontos da cidade) do curso novo, tendo que dar conta de relatórios, ponto, avaliações, correções e etc.
Eu já não era mais tão eficiente e não dava conta. Havia padrões e eu não consegui segui-los. Vivia numa batalha mental comigo mesmo entre o aceitar que isso era normal porque eu estava começando e maltratar-me enchendo a cara de doces porque não estava conseguindo.
Uma cena da qual eu nunca vou me esquecer foi o dia em que uma de minhas coordenadoras pediu para ver uma série de exercícios que eu havia corrigido antes que eu os entregasse aos alunos. Ela foi apontando um a um os erros que eu deixei passar e me informando sobre a necessidade de corrigir sem riscar o que o aluno fez (circulando e colocando a resposta correta ao lado) e eu passei uma hora pelo menos com um liquid paper e uma profunda sensação de culpa (que foi transformada em donuts, posteriormente).
Baixíssima tolerância a meus próprios erros! Duas atitudes básicas: culpar os demais que, realmente, não haviam me dito como fazer antes de que saísse fazendo e me culpar por não ter pesquisado antes.
Por que é que eu não me permitia errar? Errar, pedir desculpas, seguir – sem que isso me produzisse uma sensação tão ruim?
E como vocês já devem ter ouvido que a culpa não leva a lugar algum…