Eu me sentia na OBRIGAÇÃO, afinal de contas, estava SENDO PAGA PARA ISSO de dar aula ATÉ O ÚLTIMO MINUTO e de que TODOS OS MINUTOS DA AULA FOSSEM PRODUTIVOS DE ALGUMA MANEIRA E REPRESENTASSEM CONHECIMENTO ADQUIRIDO COMPROVADO PELO MEC (ou por qualquer órgão renomado que quisesse comprová-los!)
Simples assim! Eu tinha que estar à altura do desafio (afinal, tinha enganado todo mundo no treinamento, chegado até as empresas e recebido meus primeiros salários, bem, tinha que dar meu jeito)
Gente, eu era INTRANSIGENTE em relação a isso.
Se falta um minuto, a aula não acabou…Se eu acabava a aula um minuto antes por entregar os pontos, desabava em um pote de sorvete de dois litros imaginando como não era uma profissional dedicada! Se percebia que as pessoas atrasavam o início ou adiantavam o fim das aulas – colegas de profissão – eu era tomada por um profundo ressentimento em relação ao futuro de nosso país nas mãos de profissionais como esses.
É, dramático assim mesmo!
Ou seja, eu era a mulher da carta na manga: em todo objeto ou comentário de meus alunos eu via uma forma de explicar gramática em potencial. A aluna dizia “By the way” (A propósito) e eu já pensava: “Você sabia que nevertheless, however, although, even though cumprem com funções parecidas?” e imediatamente relacionava à lição do livro que estava ensinando.
Eu sei, eu sei…Devia praticar yoga ou algo assim. Dá-lhe desespero!