Lembram-se de como a história começou? De como ensinar inglês representava um profundo conflito ideológico para uma menina de dezessete anos que ouviu dizer que os americanos eram o Lado Negro da Força? Como posso eu – que quero mudar o mundo – ser professora de inglês? How can I?
Foi no primeiro curso de treinamento de professores que fiz, anteriormente mencionado como vitória do marketing ativo, que comecei a ter motivos para ter orgulho do que estava ensinando. Para completar o curso eu tinha que fazer um mini-módulo de Língua Escrita com prática em diferentes gêneros textuais em inglês, dois módulos de Didática e dois módulos de uma das coisas mais fascinantes que já estudei em toda a minha vida: Literatura. Um módulo de Literatura Inglesa e um de Literatura Americana.
Foi quando conheci, ainda que de longe, caras interessantes como W.H Auden, Robert Frost, Billy Shakes (que é como meu irmão, também professor, chama William Shakespeare), Jane Austen… Como diria Frost, “two roads diverged in a wood”/ “duas estradas divergiam em um bosque”… Numa delas, eu ensinava a língua do mercado de trabalho, amava o Halloween e comemorava o Dia dos Namorados em quatorze de fevereiro… Na outra estrada, eu me aprofundava em diferenças culturais, era a professora da língua de Shakespeare, traçava paralelos entre a Literatura Brasileira e a Literatura de Língua Inglesa. Enfim, nessa segunda opção, eu era um ser profundo, uma educadora.
Foi quando comecei a reconciliar-me com minha profissão. Não existia Lado Negro ou Branco, somente pessoas (pessoas incríveis) expressando-se em diferentes idiomas! Eu simplesmente não conseguia parar nos textos do livro oficial: comecei a descobrir as irmãs Brontë, os clássicos de seis reais da famosa coleção de capa creme, os livros perdidos nos sebos a um real e Literatura mostrou-me, atenciosamente, o que havia de maravilhoso por trás de saber uma outra língua.
“Duas estradas divergiam em um boque e eu, eu segui a que era menos usada, e isso fez toda diferença…”