By the Way, havia um inglês no meio do caminho

11/12/2008

Há mais coisas entre o “do” e o “does” do que supõe nossa vã gramática…

Por que era assustador? Tudo começou no treinamento. O treinamento que na verdade era um teste para ver se nos adequávamos à metodologia. Aquela coordenadora falando com uma fluência invejável e mostrando que livros usar para que períodos, falando de abordagem comunicativa, mandando a gente ler um monte de coisas. Eu precisava de toda a minha concentração e mais um pouco na hora de falar. Morria de medo de falar alguma coisa errada em inglês! E se eu errasse uma preposição? E se trocasse o “do” pelo “does”? Vocês não têm idéia do que é passar pelo primeiro treinamento, ouvir falar de abordagens pedagógicas, sendo que a única coisa que você consegue ter em mente é: “Lembra que na terceira pessoa se usa does… lembra que tem “s” no final do verbo… Lembra que na terceira pessoa se usa does…” Eu ouvia os outros professores falando e morria de vergonha de falar também. Todos pareciam saber falar inglês melhor do que eu e, quando por acaso alguém cometia um erro, era quase palpável o sentimento generalizado de: “Esse aí não vai entrar não!”. E eu pensando: “Preciso do dinheiro… concentre-se, Sabine… na terceira pessoa se usa does”. Vocês não têm idéia da tortura que era.

Como na maioria dos treinamentos por que passei, era um processo de seleção no qual se passava o básico do que se esperava do professor em sala de aula, pedia-se para que o candidato preparasse uma aula e apresentasse e, de acordo com o resultado e a participação ao longo do treinamento, selecionavam-se os mais aptos. Tudo isso em três ou quatro dias. Eu não aprendi muito sobre abordagem comunicativa naquele treinamento. Saí de lá com a vaga noção de que abordagem comunicativa era não ser tradicional, não ficar preso a quadro e exercícios de complete e fazer com que o aluno falasse bastante. Procurar montar situações nas quais o aluno tivesse de falar, situações interessantes. Mas eu sabia tão pouco sobre metodologia que, no final das contas, isso podia ser simplesmente o que eu queria ouvir.

O mais importante a resgatar para mim, no entanto, é essa tortura de falar inglês como uma profissional do inglês. Tudo ajudando a reforçar a visão de que professor não erra nunca, professor sabe tudo sobre gramática. Vocês podem estar pensando: “mas, pelo amor de Deus, essa coisa de terceira pessoa é super básica, não tem como você errar isso!”. Devem estar imaginando que eu não tinha fluência alguma, como assim?

Bem, estão em seu direito de imaginar.

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3 Comentários »

  1. Tenho a impressão de que esse terror do erro não nos abandona jamais! E a ironia é que, embora acreditemos que os erros de fato fazem parte do aprendizado, e que professores não são detentores do conhecimento, quase que paradoxalmente, somos assombrados por uma exigência (interna) de perfeição.

    Comentário por M Eugenia — 13/12/2008 @ 13:08 | Responder

  2. Muito obrigada, querida, por visitar e comentar!

    Sem dúvida! Concordo plenamente! A gente vai relaxando muito com os anos de prática, mas o fantasma segue, não é?

    Fico me perguntando como é que isso influencia nossa relaçao com os alunos. Por que, se temos essa assombração nos acompanhando, de alguma forma, esse é um modelo que estamos colocando à disposição dos alunos.

    Não dá nem pra reclamar muito que eles tenham medo de se expor e compartilhar, né?

    Acho que relaxar nisso tem uma função primordial na construção de uma relação mais humana com nossos alunos!

    Beijos e volte sempre.

    Comentário por sabinemendes1 — 13/12/2008 @ 13:40 | Responder

  3. O modo como vc expressa e coloca suas experiências como professora, e os métodos pra fazer os aliunos aprenderem ser ficar presa ä exercícios e mais exercícios dá um entusiasmo, uma vontade de dar aulas também, mesmo que fosse só pra ver como é, explicar inglês e ajudar colegas eu sempre fiz, mas aulas, nunca…Em turmas, muito menos…Chega a ser empolgante o modo como vc fala, ainda mais pra mim, que nunca quis dar aula e acho , com toda a convicçao do mundo, que nao tenho vocaçao nehuma pra esa atividade.

    Comentário por Juliana — 16/11/2009 @ 05:13 | Responder


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