By the Way, havia um inglês no meio do caminho

06/03/2009

O Dia em que todo meu horário mudou

Uma das coisas que me fez sentir mais culpada ao longo desses anos de profissão foi o dia em que eu, munida da alta tecnologia celular-tijolão-preto, caminhava pelas ruas do Rio e recebia ligações do novo curso, perguntando-me se queria novas turmas que começariam no mesmo dia.

Eu comecei com uma turma no curso novo, compatível com meus horários anteriores nos cursos em que era horista. Neste dia, no entanto, lembro-me muito bem que entre oito horas da manhã e cinco e meia da tarde todo o meu horário mudou.

Fui cumprir meu horário de manhã no curso novo e, ao terminar, teria que ir a uma aula particular para um aluno de outro curso. Porém, recebi uma ligação perguntando se não queria/poderia estar na parte da tarde em outra filial do mesmo curso, em duas turmas novas. Ao terminar essa aula, recebi outra ligação perguntando-me se, em meia hora, não queria/poderia estar em outro bairro para pegar mais duas turmas novas.

No meio do caminho, tive que ligar para minha chefe antiga e explicar a situação. Foi uma das coisas mais difíceis que já tive que fazer em termos profissionais fora de sala de aula. Tinha medo de perder as turmas, agradecia a sorte de já começar com tantas e, ao mesmo tempo, não queria ser injusta ou “mal agradecida” com os cursos que me deram minha primeiras oportunidades.

Digam-me: como teriam feito? Essa é uma daquelas coisas que ninguém te diz que vão acontecer e acontecem!

Coisas que ninguém te conta (Por que, meu Deus, por quê?)

Várias das coisas pelas quais passei nessa vidinha de meu Deus vieram como avalanches, surpresas, enfim… E, durante a maioria delas, eu ficava me perguntando como é que as pessoas podem esquecer de te dizer detalhes importantes do relacionamento com outros indivíduos ou mesmo detalhes operacionais de suas ferramentas do cotidiano. Detalhes que são coisas muito grandes para esquecer!

Querem exemplos? Ninguém nunca me disse que todos temos inseguranças e que pode ser que quem esteja se mostrando faça isso justamente porque está mortalmente inseguro. Ninguém nunca me disse que existem certas canetas que, ao serem utilizadas no quadro branco, deixam marcas eternas. Nunca me ensinaram a diferença entre a vassoura de piaçava e a vassoura de pêlo. Entendem?

Tampouco me disseram como você troca de emprego de maneira ética e não-ofensiva, o que me parecia um drama na época em que tinha de abandonar os primeiros cursos em que era horista e enfrentar minha primeira carteira assinada.

A Prova Final

Filed under: Uncategorized — sabinemendesmoura @ 01:24

Tremendo eu apertava aqueles botões que ativavam as seqüências de histórias no CD-Rom…

Tremendo eu tinha saído de casa, me despedido de minha avó e me sentido parte do elenco de uma novela das oito cuja sinopse no jornal indicaria: “Sabine tem sua grande chance de conseguir trabalhar com carteira assinada”.

Tremendo eu negociava comigo mesmo meu nervosismo, num diálogo interno que pontuava que, se eu não passasse, o mundo não acabaria.

Passei. Fiquei com aquela sensação de que não sabia porque havia passado. Suspeitei que o nervosismo podia gerar aliados. Errei um detalhezinho na hora de fazer um dos passos da metodologia.

Nunca mais me esqueci desse erro. Ao corrigir um aluno fictício, interpretado magistralmente por um dos professores avaliadores, dei a resposta ao invés de dar dicas para que o aluno chegasse a ela.

Lição: nunca dê a resposta!
Lição 2: algo você deve ter feito de interessante, porque está contratada!

Por que raios então eu acreditava nisso que hoje já não consigo muito aplicar?

Vários fatores:

1) Era super legal para alguém que começava a dar aulas como eu acreditar que uma série de ações externas (independentes de atitude ou relacionamento com os alunos) garantissem o aprendizado.
2) Parecia super sério. Afinal de contas, tinha prova! 🙂
3) Sempre fui compulsiva. Adoro ouvir a mesma música no repeat a semana inteira.
4) Era algo a que se apegar, um modelo mínimo. Como transgredir e criar sem conhecer o mais tradicional?
5) Eu tinha modelos de excelentes professores que trabalhavam com esse método. E queria ser igual a eles quando crescesse!
6) Você passa a desenvolver um carinho por aquelas frases, aquelas formas: são algo para chamar de seu! Fazem com que você se sinta parte de um grupo seleto de pessoas que sabe operar o CD-Rom e atuar sob a bandeira de uma marca nacionalmente conhecida.

Confissões de uma mente repetitiva…

Filed under: aprender,língua inglesa,modelos de vida — sabinemendesmoura @ 01:10
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Como quem acompanha meu blog bem sabe, não comecei a dar aulas por sonhar com isso desde criancinha. Se bem que há controvérsias, uma vez que, consultando minha mãe, ela garante que se lembra de mim dizendo que queria ser professora e dando aulas para bonecas enfastiadas. Mas que menina nunca fez isso?

No entanto, o trabalho para mim sempre foi tido em alta conta. Ou seja, jamais trabalharia em um local onde acreditasse estar fazendo algo contraproducente, meramente lucrativo ou imoral. Por exemplo, jamais seria uma fabricante de plástico-bolha que nos leva à loucura querendo apertar as bolhinhas uma a uma!

Brincadeirinha! 🙂

O que eu quero dizer é que a metodologia audiolingual e toda aquela repetição pareciam-me uma evolução comparando-as aos cursos de onde vinha antes onde, talvez por total incompetência minha, eu quase não observara treinamento ou foco metodológico algum.

Eu acreditava no método baseado em repetição ou não teria podido trabalhar com ele.

Nota de Imprensa: Não quero cuspir no prato que comi.

Espero sinceramente que aqueles que defendem o método audiolingual e suas variações perdoem-me por meu ponto de vista particular, pessoal e intransferível. Gostaria de dizer que, ao longo dos tempos, venho cada vez menos endemonizando métodos, metodologias e abordagens e percebendo que, sem atenção ao que há de humano no aluno ou aluna que você tenta atingir, não há como ensinar nada. Também percebi depois de onze anos, que a mescla de abordagens de acordo com cada contexto é quase sempre a forma mais eficiente de ensinar.

Respirem fundo e não se esqueçam: eu aprendi assim, repetindo! Não cuspo no prato que comi, tampouco creio que seja a melhor maneira de aprender.

Em seguida, voltaremos a nossa programação normal…

Confesso que fiz repetir…

Confesso também que, preparando-me para o curso que me tiraria do mercado informal, gostava da sensação de fazer as outras pessoas repetirem. Sim, sim, é verdade! Já não posso guardar esse segredo cruel comigo. Sinto-me baixa querendo posar de comunicativa quando na verdade lá está minha origem: na repetição infinita de situações pré-calculadas, baseadas em amostragens lingüísticas.

Levem-me ao paredão! Já não me importo mais!

Hoje em dia, seria mais fácil o meu feijão ficar bem feito do que eu basear uma aula inteira em repetição e behaviorismo (percebam que sou péssima cozinheira!). No entanto, naquela época, havia um certo prazer em uma metodologia regrada, baseada em linguistic chunks (pedaços/trechos lingüísticos) nem sempre muito bem contextualizados.

Era bom, para alguém que duvidava profundamente de seu direito de ensinar alguma coisa, ter listas do que fazer, como fazer e uma espécie de garantia tácita de que, ao passar por todas aquelas repetições, seu aluno sairia falando inglês.

Além do mais, colegas, foi assim que eu aprendi. Ou não?
Voltaremos a isso!

Tensão pré-carteira assinada

Lá estava eu – a jovem mãe, a mulher que batalha por sua cria – do alto de meus vinte anos, na sala do Curso de Professores. Alguém pergunta porque estou ali e digo, sinceramente, que cada vez que pratico para a prova final penso no rosto de minha filha e em seu futuro. Comovo algumas pessoas, mas arrependo-me do tom mexicano. Fico bem “sabor de guacamole” ao falar a verdade!

Acontece que o curso onde eu estudava para ser professora tinha lançado um pacotão de verão em que eu faria as três matérias que faltavam para que me formasse em um mês e meio, pagaria 10% e teria 90% de chance de ser contratada para começar no mesmo ano. Era a minha chance de ouro, a oportunidade de poder ser responsável pela filha que colocara no mundo!

Nada era mais importante para mim, naquele momento, do que decorar os passos da metodologia ensinada. Naquela época, ao menos para mim, a carteira assinada regia a Terra, assim como Deus regia os céus!

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