By the Way, havia um inglês no meio do caminho

16/12/2008

Nota em DNO (Diário Não-Oficial)

Gostaria de pedir desculpas a todos os alunos e alunas com quem alguma vez eu já tenha usado a estratégia do “envilecida” (ver post anterior). Eu sei que era golpe baixo, que não tem desculpa, porém gostaria que soubessem que doeu mais em mim do que eu vocês.

Caso você, que está me lendo agora, seja um desses alunos, somente posso dizer que realmente sinto muito e que a tal estratégia era algo envilecido por meus problemas egóicos (???).

Resumindo: tava morrendo de medo de ter que dar aula para vocês!!!

Pronto, eu disse.

“Envilecida”: redações escolares servem SIM para alguma coisa!

O ministério da saúde adverte: A estratégia a seguir foi bolada por uma menina insegura de 19 anos que tinha que dar aula para “alunos-que-testam” que, muitas vezes, tinham o dobro de sua idade.

Quando eu estava na oitava série, fiz uma redação sobre os retirantes (baseada em uma foto que a professora apresentou). Tinha acabado de descobrir uma palavra nova em português – envilecida – e queria estreá-la em texto próprio. Pois bem, minha redação teve nota máxima, mas gerou um comentário (um circular de caneta vermelha) quanto à palavra envilecida, que foi corrigida para envelhecida. Certa do equívoco e munida de dicionário, apresento à professora a palavra nova e fico toda boba por conhecer vocabulário que ela desconhecia. Ganho muitos elogios e ganho o mês!!!

Sei, sei, metida a besta eu!

E o que isso tem a ver com provar minha competência dando aulas de inglês? Simples – toda vez que um aluno me testava, perguntando uma palavra que eu não soubesse em inglês, eu travava o seguinte diálogo/batalha de egos:
(eu) Você é fluente em Português?
(aluno-que-testa) Sim, claro!
(eu) Sabe o que quer dizer “envilecida”?
(aluno-que-testa/ 3 variações de resposta) “Você não quer dizer envelhecida?” ou “Sei, sei…quer dizer (aqui ele dizia uma coisa qualquer)” ou “Humm, bem, não sei…”
(eu) Quer dizer “tornada vil”. Portanto, você é fluente em português e nem por isso sabe todas as palavras e eu sou fluente em inglês e nem por isso sei todas as palavras. Mas eu sou fluente em inglês e você não é, por isso, deixa eu te ajudar”.
Xeque-mate.

O nível de crueldade/requinte/avacalhação dependia muito do nível de crueldade/requinte/avacalhação do aluno-que-testa.

Eu sei, gente…Mas foi o que deu pra inventar na época…

O aluno que queria ser rei

Eis que somaram-se aos meus grupos membros de outras empresas, alunos particulares…Para cada um deles eu recebi um papelzinho que era como um “encaminhamento”. O encaminhamento continha os dados dos alunos, endereço e nível (busque o livro de acordo com o nível) e era uma espécie de talismã também! Eu tinha 19 anos -colava aqueles encaminhamentos em uma agenda como se fossem condecorações militares!!! Consegui mais um aluno…Era o máximo!
Até que um dia, numa bela manhã de não lembro quando, encontrei o primeiro aluno “do tipo que testa”. Um aluno do tipo “você tem dezenove anos, como assim está querendo me ensinar alguma coisa?”. Eu senti na pele a tensão – tive ganas de me livrar do encaminhamento dele, quem sabe jogando numa fogueira! – e não consegui dar nenhuma resposta adequada durante nossa primeira aula.
Porém, para toda situação incômoda, logo desenvolvemos uma estratégia…Ainda mais se o prêmio é a permanência no mercado de trabalho!
E eu desenvolvi a estratégia do “envilecida”.
Na próxima, juro que conto.

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