By the Way, havia um inglês no meio do caminho

23/05/2009

Eu não sou equilibrista pra ficar na corda bamba…

Mas, esperem aí…

Se o último post está minimamente correto e se não me falha a lógica básica, o ideal então seria estarmos sempre atentos ao que acontece em sala de aula? Vermos as relações como dinâmicas entre indivíduos, não é? Não exigirmos da prática pedagógica uma única verdade e sim uma praxis que vai se construindo na medida em que vamos atuando. Um equilíbrio em dinâmica para o qual não há respostas prontas…

Afe…que trabalhão! Só de pensar nisso me dava uma canseira! E a canseira não era o pior, porque eu nunca fui de me assustar com trabalho!

O pior, naquele início de carreira e início de vida, do alto de meus dezenove anos, era a noção que eu tinha de que equilíbrio era coisa chata! Nada mais chato do que ser equilibrado! E eu lá vim ao mundo pra ficar na corda bamba? Onde é que está minha vida hollywoodiana em que as aulas são mega-shows ou tragédias em três atos? Equilíbrio uma ova!

Porém, se eu queria ensinar – e eu queria – teria que buscar o chato do equilíbrio!

Hummmmmmmmmmm

16/05/2009

A mentira nem tem pernas pra começar a história…

Filed under: aprender,experiências,língua inglesa — sabinemendesmoura @ 03:52
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Se a mentira tivesse pernas curtas, tudo bem. Porque a gente ganharia tempo entre a mentira e a reação por mais que fosse dolorosa…

Fato é que a mentira não tem pernas. A mentira não cola internamente. E quando falo de mentira, falo de tudo aquilo que a gente não acredita em um determinado momento que seja verdade.

Exemplo: Naquela época, eu acreditava que o inglês era importante para a faculdade. Hoje, eu preferiria que quem entrasse para a faculdade sem saber inglês organizasse um projeto em que os materiais obrigatórios fossem traduzidos! (meu lado ativista, né?) Porém, naquela época, a idéia ainda não havia ocorrido a minha pessoa. Portanto, eu dizia em sala que o inglês era importante para a faculdade, dizia isso com verdade interna, e colava. Ficava com uma boa sensação. Imagino que nem todos acreditassem, mas não havia discussão, ao menos, quanto à verdade de minhas intenções ao dizer (os alunos ao menos consideravam essa hipótese com carinho e respeitavam a minha opinião).

Porém, eu NUNCA acreditei que para que o ambiente em sala fosse produtivo todos deveriam ficar sentados o tempo todo, quietos, me ouvindo e repetindo como máquinas. Conclusão: quando eu, movida por algum medo ligado a minha imagem, queria dar uma palestra sobre a importância deles fingirem de mortos, adivinha o que acontecia?

Pois é, não colava!

A mentira não tem pernas…

21/12/2008

Estudo de Caso: Mestre do Entretenimento I

Características Básicas da “Aula-show”:
– são perfeitas.
– são perfeitas.
– demonstram o conhecimento superior que o professor tem em relação ao ponto gramatical a ser apresentado.
– são rápidas e cheias de tiradas de efeito (se você é professor e está em treinamento, fica tentando acompanhar os movimentos ilusionistas de quem expôe e tem certeza de que nunca conseguirá reproduzi-los. Se você é aluno e te dão uma aula dessas, você não consegue acompanhar os movimentos, mas sabe que o cara é o Professor!).
– te expôem: dentre as tiradas de efeito há sempre algumas que servem para te desestabilizar de forma que você não consiga responder e o Professor possa te apontar e rir da sua incompetência, alinhavando o bom “relacionamento” que tem contigo te dando um tapinha nas costas e dizendo “Você chega lá!” que, na verdade, pode ser traduzido como “Eu sei, eu sei que eu sou incrível, fazer o quê?”.
– Truques utilizados para expor e te manter “no-seu-lugar-pequenininho-de-espectador”: trava-línguas; piadas em relação à sua vida pessoal que só o Professor tem vocabulário para entender (nesse caso, ele ri de você sem você saber de que exatamente ele está rindo); citações de pessoas famosas que ninguém na sala conhece (??) e que provavelmente o Professor também não conhecia há bem pouco tempo; explicações teóricas lindas e que fazem tudo parecer muito fácil, mas que o Professor não se preocupa em saber se você vai conseguir colocar em prática (´”É só praticar em casa!”, geralmente acompanha tais exposições).
– Regra Número Um: Você é o único responsável pelo seu aprendizado. O Professor nunca se compromete com você (até porque só se compromete com pessoas “do seu nível”).

Sim, senhores, temos que rir!

“Aula show” ou “There´s no people like show people”

Traduzindo: “Não há ninguém que seja como as pessoas do show business” (em inglês fica bem melhor!). Aceito teclas SAP mais eficientes!

Logo depois de começar a traçar as mais básicas estratégias de sobrevivência em sala de aula, comecei a ficar atenta às tendências por trás da metodologia de cada lugar. A principal delas – guiada por um ser iluminado, faceiro e dotado de eterno bom-humor e perspicácia fora do comum – era a clássica “aula-show”.

Vejam bem: para ser o elaborador de uma “aula-show” não bastava saber inglês, conhecer bem os alunos, dedicar-se horas a fio ao planejamento de aulas. A “aula-show” era quase um Dom Divino: ou você nasce na conjunção astral favorável ou jamais será capaz de alcançá-la.

Piadas excessivas à parte, havia um modelo mítico de professor que eu e meus colegas sabíamos que nunca chegaríamos ser, mas que não era simplesmente um cara entusiasmado e esforçado: era praticamente um MC ou performer a la Diva do Pop. Tiradas interessantes, risinhos oblíquos, provas constantes de que sabia mais do que o aluno (e do que a maioria de seus colegas professores), superioridade à toda prova!

E, a distante promessa, de que um dia você – quando seu Destino clareasse, os céus de abrissem e a revelação o atingisse como um raio – pudesse ser igual a ele!

19/12/2008

Detalhes tão pequenos da relação VHS/professor

São coisas muito grandes para esquecer e que, em meio ao avanço tecnológico, acabam esquecidas mesmo:
– A alegria que sentíamos ao ver que o “chuvisco” do início da fita desaparecia lentamente até formar uma imagem perfeita.
– Reconhecer a fita por suas falhas (essa distorce o som naquela cena em que a Meg diz “I do”)
– Descobrir que a fita que passa perfeitamente em sua casa, simplesmente gera uma tela azul no vídeo do curso.
– Apertar o botão de “tracking” tomada de profunda esperança de que o “chuvisco” desapareça.
– Abrir a aba na parte posterior do vídeo, para checar o estado da fita antes de alugar ou pedir emprestado e sentir-se sábio ao perceber que determinada cópia estava dentada.
– Descobrir que pegou uma cópia boa, de determinado filme, porque essa sim está com “uma boa cor”.
– Ser surpreendida por uma súbita alteração de volume – uma fita que começa a berrar – depois de ter passado quase todo o filme no volume máximo e quase inaudível.
– Regular contraste e brilho da televisão, sem ter muita certeza em relação à diferença entre eles, na tentativa de melhorar a imagem de uma “cópia escura”.
– Gastar a fita de tanto usar uma mesma cena para práticas de compreensão auditiva e não conseguir mais assisti-la em casa.
– Pedir para um amigo que tem TV a cabo gravar qualquer coisa em inglês sem legendas na esperança de um dia poder usar.
– Arrancar o quadradinho da parte da frente da fita para que ninguém gravasse por cima de seus preciosos filmes e/ou arrepender-se de ter arrancado o tal quadradinho e entupi-lo com um pedaço de papel para que a fita pudesse ser gravada novamente.

Prometo ater-me aos comentários anteriores! Omitir-me em relação às fitas cassete (??? – pesquisem na wiki) e às horas passadas reenrolando bandas magnéticas e torcendo para que a música a ser usada em sala – originalmente estilo dance – não passasse a soar como uma ópera.

NTSC – Never the Same Color ou Nunca a Mesma Cor

Estudando cinema e vídeo, ouvi de um professor uma piada interna do metiê – daquelas que só têm graça para quem lida com isso o dia inteiro -que dizia isso aí que está no título (sei que devem estar sofrendo convulsões de tanto rir!): brincava com a instabilidade cromática do sistema NTSC na época em que era relevante saber que o sistema brasileiro era PAL-M, entre outras siglas, com certeza todas acompanhadas por suas respectivas piadas em inglês.

Já que eu falei um pouco sobre a era pré-Internet, não posso de maneira alguma deixar passar a digressão da era pré-DVD em sala de aula.

Alguém aqui já alugou um filme com legendas em português e tentou improvisar um tampão com folhas da secretaria do curso e pedaços de fita adesiva, tentando cobrir as tais legendas, e descobrindo que dava para ler através do papel?

Alguém já insistiu nesse esquema, em versão 2.0, mediante a compra de cartolina preta, somente para descobrir que a fita adesiva não segurava a cartolina na base da Tv da sala de aula?

Alguém já deu aula segurando um pedaço de cartolina diante das legendas, pensando seriamente em processo por insalubridade dada a dor nas juntas por estar uma hora e meia parado na mesma posição?

Alguém já desistiu de tudo isso e ignorou a possível proibição de uso de língua portuguesa em sala de aula, transformando os próprios erros/reduções da legendagem na prática de compreensão auditiva do dia?

17/12/2008

Inutilidades adquiridas ao longo dos anos…

Aulas particulares te ensinam algumas coisas, das quais me gabo constantemente até hoje, mas que têm pouca utilidade cotidiana.

Exemplo:
– virar o marcador do relógio para o lado do pulso, de maneira a não dar a entender ao aluno que você está vendo que horas são porque quer que a aula acabe ou porque não sabe o que fazer (fica mais discreto). Às vezes, você nem quer que a aula acabe, mas precisa controlar o tempo por uma questão de créditos de horas pagas.
– controlar impulsos de bocejar através de complicadas contorções faciais que, com o tempo e a prática, ficam cada vez menores. Recurso especialmente necessário em salas geladas, de luz fria (ou mal iluminadas) em horários estranhos (pós-expediente, seis da manhã, hora do almoço – que é quando essas aulas geralmente acontecem).
– ler (e escrever) com a folha virada de cabeça para baixo. Isso porque normalmente você tem uma cópia só do texto ou um livro só (porque não pode/não deu para pedir cópias no curso que é longe e você não tinha dinheiro ou porque mandou por email para o aluno e ele tirou cópia só para ele). Sentar lado a lado com o aluno pode ser desconfortável (pode faltar intimidade para isso), então resta dar o texto para que ele leia e acompanhá-lo de cabeça para baixo, fazendo ocasionais observações de vocabulário (com o tempo, a prática e a falta de quadro negro em algumas salas de empresas) escrevendo também de cabeça para baixo, para não ter que virar a folha.
– dar aula em qualquer lugar. Marcação de salas em empresas sem antecedência (e, às vezes, mesmo com antecedência) é sempre um problema. Portanto, aulas durante o almoço, durante uma sessão de manicure (sim, eu juro!), em ambientes abertos, na pracinha de convivência da empresa, tornam-se “brindes” frequentes.

Devo dizer que ler e escrever de cabeça para baixo é uma das coisas que eu aprendi que mais gosto de fazer. Quanto a dar aula em qualquer lugar, acho muito divertido mesmo!

16/12/2008

Nota em DNO (Diário Não-Oficial)

Gostaria de pedir desculpas a todos os alunos e alunas com quem alguma vez eu já tenha usado a estratégia do “envilecida” (ver post anterior). Eu sei que era golpe baixo, que não tem desculpa, porém gostaria que soubessem que doeu mais em mim do que eu vocês.

Caso você, que está me lendo agora, seja um desses alunos, somente posso dizer que realmente sinto muito e que a tal estratégia era algo envilecido por meus problemas egóicos (???).

Resumindo: tava morrendo de medo de ter que dar aula para vocês!!!

Pronto, eu disse.

O aluno que queria ser rei

Eis que somaram-se aos meus grupos membros de outras empresas, alunos particulares…Para cada um deles eu recebi um papelzinho que era como um “encaminhamento”. O encaminhamento continha os dados dos alunos, endereço e nível (busque o livro de acordo com o nível) e era uma espécie de talismã também! Eu tinha 19 anos -colava aqueles encaminhamentos em uma agenda como se fossem condecorações militares!!! Consegui mais um aluno…Era o máximo!
Até que um dia, numa bela manhã de não lembro quando, encontrei o primeiro aluno “do tipo que testa”. Um aluno do tipo “você tem dezenove anos, como assim está querendo me ensinar alguma coisa?”. Eu senti na pele a tensão – tive ganas de me livrar do encaminhamento dele, quem sabe jogando numa fogueira! – e não consegui dar nenhuma resposta adequada durante nossa primeira aula.
Porém, para toda situação incômoda, logo desenvolvemos uma estratégia…Ainda mais se o prêmio é a permanência no mercado de trabalho!
E eu desenvolvi a estratégia do “envilecida”.
Na próxima, juro que conto.

11/12/2008

“Eles levam isso à sério mesmo!”

O olhar dos outros foi fundamental no meu processo de construção como professora de inglês. Eu não parava de pensar: Essas pessoas levam isso mesmo a sério! Existe técnica para isso! Não dá pra fazer com boa vontade não, tem que saber como fazer! E sentia-me dividida entre o alívio de encontrar-me entre pessoas que achavam minha habilidade lingüística (capitalista ou não!) algo útil e digno de salário (ainda que mísero!) e o medo de estar me afundando no Lado Negro da força, prestes a me tornar uma especialista em algo politicamente incorreto.

Eu passei em um dos treinamentos. Só fui saber quanto ganharia depois de toda a tortura. Não era mal para uma iniciante. Sem carteira assinada, sem benefícios, sem nada. Mas não era de todo mal! Logo, o segundo curso me chamou, também um curso para executivos, o chamado business english. Nesse curso, não houve treinamento. Só uma conversa, apresentação dos livros e lá fui eu dar aula. Era um curso menor e menos glamouroso. Tudo mais prático. Negociação de salário na hora, se não gostar pode ir embora.

Estava pronta para os alunos (ou não). É, mais para “ou não”. Mas deixem-me rememorar a doce inocência de quem começa achando que sabe de tudo…

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